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1 de out de 2010

O Bigmac e o Real

Uma das formas de comparar o poder de compra das moedas de diferentes
países é verificar o preço de um mesmo produto em diferentes moedas,
tal qual como era feito no chamado padrão-ouro, em que através do
preço do ouro fazia-se a comparação entre as moedas.

Já faz um bom tempo que a revista inglesa "The Economist", substituiu o ouro pelo
Hamburguer como unidade de comparação para as diferentes moedas, no
caso o BigMac, sanduíche da McDonald´s que segue a mesma composição no
mundo todo (♪♫ Dois hamburgueres, alface, queijo, molho especial,
cebola, picles num pão com gergelim ♪♫), assim o índice Bigmac é
referência no mundo inteiro, estudado por acadêmicos e utilizado por
economistas em seus estudos de mercado.

Na última edição do Índice (22/07/2010) para a nossa surpresa o Bigmac
brasileiro aparece como o 3º mais caro do mundo com um valor
equivalente US$ 4,91, perdendo apenas para o da Noruega (US$ 7,20) e
Suiça (US$ 6,19). O Bigmac brasileiro é quase 15% mais caro do que o
preço médio da área do Euro, 26,8% mais caro que nos EUA , e 33,67%
mais caro que no Japão! Se compararmos o nosso Bigmac com os preços
praticados em economias emergentes como Rússia e China veremos que o
nosso custa mais que o dobro. Será que isso é certo?

Os preços praticados na Noruega, por exemplo, são justificados pela
carga tributária elevada típica dos países do Norte da Europa e o alto
preço dos insumos, e o nosso? Somos os maiores exportadores de carne
bovina do mundo, temos cebola e alface em excesso e pagamos um dos
piores salários aos "Mcboys". O nosso preço se justifica? A mídia nos
bombardeia com notícias sobre o elevado preço do metro quadrado
comercial em São Paulo e Rio de Janeiro em comparação com outros
países, o preço do café nos aeroportos brasileiros que está entre os
mais caros do mundo e a quantidade de brasileiros que fazem compra em
Nova Iorque, viajar para o exterior com freqüência tem saído mais em
conta do que fazer turismo dentro do Brasil. Não tem nada errado?

É possível que nossa moeda esteja sobrevalorizada, é verdade que o
Brasil conta agora com reservas internacionais superiores a US$ 260
bilhões, fundo soberano e tudo o mais, no entanto, isso não justifica
nossos preços altos, a recente enxurrada de investimentos estrangeiros
no Brasil cujo o expoente máximo é a capitalização da Petrobrás tem
contribuído para valorizar ainda mais o Real, mas ainda assim não
justifica nossos preços altos, assim, é possível que a mão invisível
de Adam Smith haja no médio prazo, levando o Real ao seu lugar
verdadeiro, que possivelmente é abaixo de onde está. Vamos aguardar!

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