30 de jul. de 2012

Bachelier e os grafistas


Em 1900, portanto a mais de 100 anos atrás, um jovem matemático francês chamado Louis Bachelier escreveu uma tese de doutorado intitulada "Teoria da Especulação", na sua tese, após muitas observações, Bachelier explorava a ideia da aleatoriedade no mercado de ações. Para respaldar sua teoria o jovem matemático comparou o movimento do preço das ações ao movimento Browniano, movimento aleatório descoberto em 1827 pelo botânico inglês Roberto Brown ao observar a confusa movimentação das partículas de pólen com um microscópio de alta precisão para a época.

Bachelier escreveu uma tese sobre a aleatoriedade dos movimentos brownianos, com mais rigor matemático e 5 anos antes do gênio Einstein aplicar o mesmo conceito a movimentação de partículas. Apesar de ter sido aceita em uma publicação científica de prestígio para época, a tese não teve muito impacto de imediato. Somente quase meio século depois ela foi "redescoberta" por matemáticos de peso dando origem a teoria do passeio aleatório ou random walk, base dos conceitos modernos de finanças e ponto de origem de diversos prêmios nobel da economia.

Sabemos, portanto, a mais de 100 anos que o movimento do preço das ações é aleatório, muitos cientistas modelaram esses movimentos, enquadrando-os dentro da Curva de Gauss (curva normal), calculando suas probabilidades dentro das condições normais, muitos economistas fizeram fortuna em Wall Street conseguindo através de técnicas matemáticas complexas entender a lógica dentro do caos, o grande problema no entanto, está em não conseguir modelar o comportamento dos preços em situações atípicas, em que os ativos sobem ou caem muito rapidamente, situação classificada pelos estatísticos como fora do normal, ou outlier, nessas horas grande parte do patrimônio dos fundos geridos pela teoria das finanças modernas escorre pelo ralo.

O que me intriga, no entanto, é a rejeição sem motivos de pessoas de boa formação ao conhecimento científico. Quando vou ao médico não costumo discutir sobre a eficácia de medicamentos ou tratamentos de saúde, porque sei que tudo aquilo passou por um método científico. Muitas crendices populares, não passaram pelo crivo da ciência, enquanto outras originaram medicamentos de alta eficácia. Outro dia conversei com um médico que havia feito um curso de análise técnica de fim de semana, e que estava operando uma alta soma de recursos via homebroker utilizando o grafismo, tentei explicar para ele que aquilo não era saudável, nem científico, mas como muitos, cego pela possibilidade de obter altos lucros com pouco esforço ele não quis saber das teorias dos economistas, poucos meses depois encontrei com ele e perguntei como andava os investimentos, como vários que conheci, ele disse que havia perdido uma boa grana e que não colocaria mais seu dinheiro em ações, estava investindo em imóveis que além de seguros estavam se revelando rentáveis.

Existe um grande mercado para a análise técnica, o uso do grafismo por parte dos leigos, gera milhões de reais por semana para as corretoras, os agentes autônomos de investimento são profissionais que praticamente vivem de corretagem de ações*, vale lembrar que os cursos de análise técnica também são um mercado considerável, alguns "professores" (entre aspas por não ter formação para tal) chegam a ter quase 1000 alunos simultâneos em turmas online, muitos vivem do mito de ter enriquecido e ficado empobrecido na bolsa (para justificar a ausência de patrimônio), para completar os argumentos pró-cursos, dizem que faltava uma pedrinha no conhecimento, descobriram,  e estão enriquecendo, ao mesmo tempo que vendendo essa pedrinha por um preço módico através de cursos.

Como professor independente, sei quanto dinheiro um curso pode gerar, um curso de sucesso mediano pode gerar receitas de R$ 30 mil reais por mês em turmas tradicionais, enquanto profissionais de ponta, que ministram cursos online "turbinados" pelo marketing das corretoras podem gerar receitas que ultrapassam R$ 200 mil reais, assim é fácil enriquecer! Costumo dizer que se um grafista está enriquecendo é porque está ministrando muitos cursos e não porque sua técnica está dando certo. Se realmente eles ganhassem um percentual certo ao dia (ex. 1%), tal como argumentam, em pouco tempo o efeito bola de neve dos juros compostos geraria ganhos diários milionários, o que não é verdade. Muitos escondem a receita dos cursos, quando questiono o porquê de dar aulas ao invés de operar com sua técnica infalível, os profissionais respondem que é por amor a sala de aula...

Um outro ponto positivo de ter uma legião de seguidores de suas técnicas é traduzido pelo que os economistas chamam de profecia auto-realizável, ao término dos cursos os professores grafistas arregimentam milhares de seguidores, o próximo passo é escolher uma ação pouco líquida, comprar, traçar a técnica em cima dela, fazer um relatório afirmando que é uma oportunidade única de compra, disparar os e-mails, esperar os seguidores comprar, o preço aumentar, e ... vender. Os cursos podem até ajudar a técnica a engrenar.

Em um país em que diversos presidentes possuem astrólogos particulares (astrologia não é ciência, não confundir com astronomia), não é surpresa que parte da massa de elite acredite em pseudo-teorias. Os motivos são diversos, desconhecimento de finanças, poder de convencimento do palestrante, endosso de uma pessoa de confiança, etc. No entanto, o pano de fundo para tudo isso é a ambição natural do ser humano de ganhar dinheiro fácil, no dia que as pessoas daqui entenderem que não existe almoço grátis, talvez nosso mercado amadureça, fazendo emergir os verdadeiros valores científicos, por enquanto nosso mercado de varejo continua dominado por "curandeiros" charlatões.

* Texto de 2012, hoje (2017) a realidade dos AAI é bem diferente, trabalham de forma muito mais responsável do que na época em que esse post foi escrito.

25 de jul. de 2012

O que são "Quants"?

A palavra "quant" deriva de quantitativo, e é usada para denominar gestores que utilizam técnicas matemáticas avançadas em suas estratégias de investimento. Apesar de técnicas quantitativas serem utilizadas a décadas, os quants ganharam força a partir do início da década de 2000, com o avanço da tecnologia computacional. Os quants utilizam computadores supervelozes e terabytes de informação para tentar achar padrões no comportamento das ações e para isso utilizam técnicas e argumentos diversos como a teoria do caos para justificar o volume de variáveis aparentemente não relacionadas, e a geometria dos fractais para encontrar padrões nesse universo caótico de dados.

Quants x Fundamentalistas x Grafistas

Grandes bancos como o Morgan Stanley, dividem suas equipes de gestão em pé de igualdade entre quants e fundamentalistas (gestores que trabalham analisando os fundamentos econômicos e financeiros das empresas). Os quants são uma evolução dos grafistas, uma vez que trabalham de forma similar, analisando o comportamento dos ativos ao invés de analisar os fundamentos empresariais, a diferença é que os grafistas utilizam na maioria das vezes apenas uma variável na sua análise, o preço da ação, enquanto os quants analisam centenas de milhares de variáveis, utilizando sistemas mais avançados.


Se os quants são a evolução dos grafistas e as grandes instituições utilizam quants ao invés de grafistas, qual é o motivo para aqui no Brasil termos tantos grafistas? A resposta está na barreira para se tornar um quant. Enquanto aqui é possível aprender técnicas de análise gráfica em cursinhos de final de semana, trabalhar com um grande quantidade de dados exige grande conhecimento estatístico e computacional, somente os melhores profissionais são aceitos no time dos quants, para acessar a esse seleto grupo é preciso conhecer as técnicas mais avançadas de econometria, matemática, física, redes neurais e tudo que venha a se aplicar nesse processo.

Antes que alguém pergunte, existe algum quant rico? Sim, diferente dos grafistas que até hoje não acharam nenhum que enriqueceu usando essa técnica, existem quants tão ricos quanto os melhores fundamentalistas. -  Meu professor disse no final de semana que Soros é grafista! Soros é um gestor não fundamentalista, ele utiliza filosofia e intuição em seus movimentos, isso não quer dizer que ele seja grafista.


Um dos maiores expoentes dos quants é Jim Simons (foto acima), gênio da matemática graduado no MIT e com Phd na Universidade da California, que fundou uma empresa chamada Reinassance Technologies, especializada em análise quantitativa no mercado de ações (http://en.wikipedia.org/wiki/James_Harris_Simons). A fortuna de Jim Simons em 2011 estava estimada em US$ 10,7 bilhões!

- Professor Antônio, gostei desse negócio, onde eu faço um cursinho de "quant"? Será que meu agente autônomo de investimentos, estudante de um curso de administração de uma faculdade de 3ª categoria poderá me ensinar isso?

R. Que tal começar com um doutorado em matemática, física ou economia?

7 de jul. de 2012

CPA 10 - Aula Grátis



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Módulo 1 da Prova Anbima CPA 10 - Sistema Financeiro Nacional
Completo

6 de jul. de 2012

CPA 10 aos Sábados - Julho

CPA 10
Local: Recife - Faculdade Estácio FIR  - Av. Abdias de Carvalho 1678.
Sala 03
Datas: 14, 21 e 28 de Julho e 04 de Agosto (Cronograma Definitivo!)
Sábados/Manhã -  8h15 até 13h15
Investimento: R$ 295,00  (Inclui o material - apostila com conteúdo completo)
Desconto para Grupos.
Ficha de Matrícula: Clique aqui
Pagamento: Aqui
Temos 3 opções de Pagamento:
I - Pagamento Completo através do Pagseguro:
Valor: R$ 295,00 ( Pode ser parcelado em até 10 vezes em vários cartões*)
*Parcelamento sujeito a juros do Pagseguro (1,99% a.m)

II - Pagamento à Vista com Desconto:
Adiantamento de R$ 55,00 através do Pagseguro 
+ R$ 200,00 em Dinheiro no Primeiro dia de aula (Pagar na hora da entrega do material antes do início da aula).

III - Parcelamento no Cheque:
Adiantamento de R$ 45,00 através do Pagseguro 
+ 5 cheques de R$ 50,00 para os dias 05/08, 05/09, 05/10, 05/11 e 05/12










Para quem gosta de acompanhar Blogs de Economia e Mercado Financeiro, segue uma dica de um Blog bem interessante:

www.arenadopavini.com.br



Sobre o Pavini

Angelo Pavini é jornalista formado pela Pontifícia Universidade de São Paulo (PUC-SP), com 22 anos de experiência na cobertura do mercado financeiro e de assuntos ligados a finanças pessoais. Foi editor do caderno Eu & Investimentos do Valor Econômico, coordenador de cobertura de mercados do canal de TV brasileiro da Bloomberg, editor do serviço de notícias em tempo real da agência Reuters, coordenador em São Paulo do serviço de notícias financeiras em tempo real da Agência O Globo e editor de Finanças e do caderno de serviços financeiros Suas Contas do jornal O Estado de S.Paulo.



2 de jul. de 2012

Regras e Custos para Uso do FGTS na Casa Própria

Vi esse quadro em uma reportagem da Folha de São Paulo (http://www1.folha.uol.com.br/mercado/1113618-saque-do-fgts-para-compra-de-imovel-a-vista-custa-ate-r-1900.shtml) e achei interessante> Destaque para o Banco do Brasil, único banco dentre os pesquisados que não cobra nenhuma taxa para saque do FGTS, os demais bancos cobram no mínimo R$ 1.600,00 para imóveis entre R$ 170 mil e R$ 500 mil.