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21 de out. de 2010

A tecnologia gera desemprego?



Uma das questões mais antigas da economia é: a tecnologia rouba empregos?
O desemprego gerado pelo advento de novas tecnologias é classificado
pelos economistas como estrutural. Em linhas gerais a teoria econômica
clássica diz que a tecnologia tira emprego de um lado e oferece de
outro, só que o emprego oferecido pela tecnologia pede um nível de
qualificação mais elevado dos trabalhadores exigindo um tempo para que
eles de capacitem, assim os clássicos concluem que a tecnologia não
tira empregos.

Existem, no entanto, alguns economistas dissidentes, que acham que a
tecnologia elimina uma parte dos empregos, principalmente os que
exigem menos qualificação, trabalhos muitas vezes mecânicos que podem
ser substituídos por máquinas e robôs. (ver artigo sobre David Autor,
Economista do MIT, http://www.good.is/post/automation-insurance-robots-are-replacing-middle-class-jobs).


Nas sociedades primitivas, os homens tal qual os animais viviam em
função do alimento, se ficassem parados morriam de fome e sede, com a
tecnologia trabalhando a nosso favor podemos celebrar o ócio (lembram
do Ócio Criativo de Domenico De Masi?), o grande problema é que ao
invés de todos trabalharmos menos e deixar as máquinas fazerem nossos
trabalhos chatos e repetitivos, uma parte da população trabalha ainda
mais e outra parte simplesmente não trabalha, ou seja existe um
desequilíbrio na alocação dos trabalhadores nas vagas disponíveis.




Por que isso acontece?
O excesso de trabalho para alguns é um sinal nítido de que faltam
trabalhadores qualificados, caso contrário seria mais barato contratar
um desempregado. Os clássicos estão certos?

15 de out. de 2010

O que é Previdência?

Previdência é um mecanismo intertemporal de proteção de Renda.

Segundo a teoria do ciclo da vida, a poupança para a aposentadoria
advém do desejo individual de manter um padrão estável de consumo ao
longo do ciclo da vida. Em função disso, os indivíduos abrem mão de
uma parcela de consumo durante a vida ativa para poder estabilizar o
padrão de consumo na velhice, quando em geral ocorre uma queda no
rendimento do trabalho. (Fonte: http://www.ipea.gov.br/pub/td/td0691.pdf)

Através da previdência os indivíduos abrem mão de uma parte da renda
na juventude para manter no nível de consumo na maturidade, após sua
aposentadoria, onde os gastos com saúde (medicamentos, planos de
saúde, médicos, hospitais) tendem a ser mais elevados.

Previdência Oficial - Futuro Incerto

No Brasil o INSS é a previdência oficial, através dele todo
trabalhador com registro em carteira é obrigado a contribuir para se
aposentar no futuro. O grande problema do nosso INSS é que ele
trabalha em um regime de repartição simples ou seja, os
trabalhadores da ativa "sustentam" os aposentados, esse regime é
eficiente na chamada estrutura etária de pirâmide, sociedades com
grande número de jovens na ativa e poucos aposentados, só que com a
nova lógica demográfica em que a expectativa de vida é cada vez maior
e as taxas de natalidade cada vez mais baixas, as pirâmides estão
ficando de cabeça para baixo, e esse sistema tem se mostrado
ineficiente. Estudos mostram que o déficit da previdência tende a
aumentar no futuro, o que por sua vez se traduz em regras mais rígidas
para aposentadoria e menores rendimentos. O que fazer?

Previdência Privada

Uma maneira de não depender somente do INSS é contratar um plano de
previdência privada. As previdência privada utiliza o chamado regime
de capitalização composta em que o dinheiro do contratante do plano é
investido em diferentes ativos (imóveis, ações, empréstimos, etc), formando
um montante que dependerá do valor das contribuições individuais, o
tempo de contribuição e principalmente o retorno da carteira de
investimentos.


Modalidades de Previdência Privada

A previdência privada pode ser de dois tipos: Fechada ou Aberta.

Previdência Fechada

A entidades de previdência fechada, também conhecidas como fundos de
pensão, são entidades sem fins lucrativos restritas a empregados de
uma empresa ou grupos de empresas, nesse tipo de previdência, os
empregados entram com uma parte da poupança e as empresas
(patrocinadores) entram com outra parte, formando um montante que
futuramente servirá para aposentadoria dos empregados, complementando
os rendimentos da aposentadoria oficial (INSS).

As maiores entidades de previdência fechada do Brasil são: PREVI
(Banco do Brasil), PETROS (Petrobrás) e FUNCEF (Caixa Econômica
Federal). No passado os brasileiros sofreram bastante com planos de
previdência que faliram, um exemplo é a Capemi, que pertencia aos
servidores das forças armandas, passou por diversas turbulências e
caiu no descrédito dos brasileiros, atualmente quem fiscaliza as
entidades de previdência fechada, ou previdência complementar é a
Superintendência Nacional de Previdência Complementar (PREVIC), órgão
reconhecido pela capacidade de seus recursos humanos composto por
Auditores Federais e pela rigidez em suas regras que garantem uma boa
margem de segurança aos contratantes dos planos de previdência
complementar.

O Capital Internacional vem da poupança da classe média

É bom lembrar que a maior parte do chamado capital internacional (também o especulativo) , aquele dinheiro que gira o mundo em busca de boas oportunidades de investimento, ao
contrário do que impera no senso comum não pertence a grandes magnatas
bilionários, mas sim a pessoas comuns de classe média, como os
professores da cidade de Nova York ou aos bancários que passam o dia
autenticando pagamentos nos guichês de caixa do Banco do Brasil, e que
mensalmente fazem depósitos para garantir uma aposentadoria mais confortável.

Previdência Aberta

A previdência aberta pode ser contratada por qualquer indivíduo que
aspire uma renda acional a do INSS, para contratá-la basta se dirigir
a uma agência bancária ou falar um corretor de seguros. As
previdências são de dois tipos: PGBL (plano gerador de benefício
livre) e VGBL (vida gerador de benefício livre). Em geral os bancos
oferecem modalidades diferentes de planos para os investidores, que
podem optar desde planos mais conservadores em que a maior parte dos
recursos são aplicados em ativos de renda fixa, como títulos públicos
até planos mais agressivos, que alocam uma fatia maior de recursos em
ativos de renda variável como ações. O grande problema dos planos de
previdência abertos são as taxas cobradas pelos bancos, as principais
são as Taxa de Administração, cobradas sobre o patrimônio e Taxa de
Carregamento, cobrada sobre as contribuições, o que faz com que a
maior parte dos planos de previdência brasileiros tenham rentabilidade
real (acima da inflação) muito próxima de zero.

PGBL

No caso dos PGBLs a grande vantagem está em deduzir as contribuições
na base de cálculo do Imposto de Renda para quem faz a declaração na
modalidade completa, o limite de contribuições é de 12% da renda anual
do contribuinte, assim quem ganhou R$ 100.000 no ano passado terá seu
imposto de renda cobrado sobre R$ 88.000 (100 mil - 12%), economizando
assim 27,5% do valor abatido (R$ 12.000), é bom lembrar que se o
investidor resolver sacar os recursos do plano no meio do caminho
estará sujeito a pagar uma alíquota bastante alta de Imposto de Renda,
que no caso do PGBL é cobrada sobre o patrimônio, a alíquota é
decrescente, quanto maior o tempo menor será o Imposto de Renda.

VGBL

Em relação aos VGBLs não vejo vantagem nenhum nesse tipo de plano, uma
vez que os valores investidos não podem ser deduzidos no Imposto de
Renda e as taxas de administração e carregamento são bastante elevadas
em relação a outras modalidades de investimento. A grande diferença
entre os VGBL e os PGBL é que o imposto de renda no resgate do VGBL
incide sobre os lucros do investimento, enquanto que no PGBL incide
sobre o patrimônio total do investimento.

Vale a pena?

Se o indivíduo declara o imposto de renda pelo modelo completo e vai
fazer um plano de previdência para resgatar somente na aposentadoria,
sim, vale a pena pois ele vai ter uma vantagem fiscal que justificará
a rentabilidade baixa do plano, no entanto, se não estiver enquadrado
nesse perfil, a menos que consiga uma taxa de administração baixa e a
dispensa da taxa de carregamento, não vejo vantagem em fazer um plano
desse tipo (PGBL ou VGBL), é melhor estudar um pouco e fazer sua
carteira de investimentos para aposentadoria por conta própria.

9 de out. de 2010

Ache e compare seu fundo de investimento

Mais uma dica de site:

http://www.comoinvestir.com.br/Paginas/Default.aspx

Lá tem uma ferramenta muito útil em que você pode achar as taxas de administração e rentabilidade dos mais diversos fundos de investimento. Tem também um bom material sobre finanças pessoais.

8 de out. de 2010

ETF´s: Melhor que os fundos de investimento em ações


 ETF – Uma alternativa aos fundos de Investimento em ações

Investir em fundos de investimento em ações tem suas vantagens e
desvantagens, por um lado existe a tranqüilidade de ter um gestor
profissional cuidando de suas ações por outro o custo elevadíssimo da
taxa de administração e os pagamentos de Imposto de Renda, o popular
come-cotas que incide periodicamente sobre os fundos.

O que surpreende é que grande parte dos fundos de investimentos em
renda variável são passivos, isto é, mantém uma carteira fixa,
tentando replicar um índice como o IBOVESPA, IBRX-50, um setor
específico, ou até mesmo uma ação como Petrobrás ou Vale, nesses casos
o valor cobrado pelos gestores não faz jus ao seu trabalho.

Sabemos que além de ser um trabalho fácil de fazer, replicar um índice de ações diminui o risco da carteira de ações, o grande problema é que usar como referência um índice com 50 ações
diferentes é praticamente impossível para o pequeno investidor,
imagine quanto dinheiro ele teria que ter para comprar todas essas ações nas
devidas proporções e ainda, quanto gastaria de taxa de corretagem.
Então a solução é mesmo investir em fundos de investimento e pagar a
salgada taxa de administração, que como sabemos incide no patrimônio e
não nos rendimentos?

Não, existe uma alternativa, os ETFs!

O que são ETFs:

ETF é a abreviação de Exchange Trade Fund, que é uma unidade
negociável na Bolsa de Valores como se fosse uma ação, mas que reune
um número variável de ações.Cada ETF se propõe a representar
determinado índice de ações ou um segmento setorial de ações, ou ainda
ações de determinados países. (Wikipedia)

Resumindo, ETF são fundos de investimento com taxas de administração
baixíssimas, (diria até ínfimas em relação as cobradas pelos fundos
geridos por bancos e corretoras) cujos papéis são negociados em bolsa
como se fossem ações, assim quando o investidor investe em um papel de
ETF ele tem o poder da diversificação de um fundo de investimento mas
por um custo baixíssimo, composto por uma pequena taxa de
administração e a corretagem cobrada por investimentos em ações.
Apesar de ainda não serem muito popular no Brasil, os ETFs são uma
febre lá fora, nos EUA existem mais de 900 ETFs negociados em Bolsa,
com um patrimônio próximo de US$ 800 Bilhões!
Atualmente vários gestores internacionais estão implantando ETFs no
Brasil, sendo que o mais tradicional e também com maior liquidez é o PIBB ou PIBB11.

PIBB 11

Em 2004, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social –
BNDES, através de uma iniciativa pioneira no Brasil, lançou o PIBB –
Fundo de Índice Brasil-50 – Brasil Tracker, um fundo de investimento
em ações que tem por objetivo refletir, com a maior fidelidade
possível, o desempenho de um dos principais índices de referência para
o mercado de ações brasileiro, o IBrX 50.

IBrX -50

O IBrX-50 é um índice que mede o retorno total de uma carteira teórica
composta por 50 ações selecionadas entre as mais negociadas na BOVESPA
em termos de liquidez, ponderadas na carteira pelo valor de mercado
das ações disponíveis à negociação.
Ações Elegíveis para o Índice
O índice IBrX-50 é composto pelos 50 papéis mais líquidos da BOVESPA,
escolhidos de acordo com os critérios de inclusão descritos abaixo.
Critérios de Inclusão de Ações no Índice
Integram a carteira do IBrX-50 as ações que atendem cumulativamente
aos critérios a seguir:
a) ser uma das 50 ações com maior índice de negociabilidade apurados
nos doze meses
anteriores à reavaliação;
b) ter sido negociada em pelo menos 80% dos pregões ocorridos nos doze
meses anteriores à
formação da carteira.
Cumpre ressaltar que companhias que estejam sob regime de recuperação
judicial, processo
falimentar, situação especial, ou ainda que tenham sofrido ou estejam
sob prolongado período de
suspensão de negociação não integrarão o IBrX-50.

Para quem é recomendado:

Para todos que querem investir em ações: Menos arriscado que investir
em papéis individuais e bem mais barato do que os fundos de
investimento, cuja taxa de administração anual é em média 40 vezes
maior que a do PIBB11.

Como Investir?

O investimento é similar ao de quem compra uma ação, uma vez
cadastrado em uma corretora, através do Homebroker basta colocar o
código PIBB11, verificar a cotação e comprar durante o pregão. Na
venda o cálculo do IR é o mesmo do utilizado nas operações com ações.
O PIBB11 consegue realmente obter a rentabilidade do IBrX-50?
Não só vem conseguindo, como até tem superado a rentabilidade, no
geral, a rentabilidade acumulada do PIBB11 é superior ao IBrX-50,
referência que raríssimos (não poquíssimos) fundos conseguem obter,
sejam eles passivos ou ativos. Sugestão: Resgate o dinheiro do fundo
de investimento em ações e coloque o mais rápido possível em papéis do
PIBB11.
Rating*: $$$$$
* Mínimo = $ e Máximo = $$$$$


Rendimento PIBB X IBrX 50
 

1 de out. de 2010

O Bigmac e o Real

Uma das formas de comparar o poder de compra das moedas de diferentes
países é verificar o preço de um mesmo produto em diferentes moedas,
tal qual como era feito no chamado padrão-ouro, em que através do
preço do ouro fazia-se a comparação entre as moedas.

Já faz um bom tempo que a revista inglesa "The Economist", substituiu o ouro pelo
Hamburguer como unidade de comparação para as diferentes moedas, no
caso o BigMac, sanduíche da McDonald´s que segue a mesma composição no
mundo todo (♪♫ Dois hamburgueres, alface, queijo, molho especial,
cebola, picles num pão com gergelim ♪♫), assim o índice Bigmac é
referência no mundo inteiro, estudado por acadêmicos e utilizado por
economistas em seus estudos de mercado.

Na última edição do Índice (22/07/2010) para a nossa surpresa o Bigmac
brasileiro aparece como o 3º mais caro do mundo com um valor
equivalente US$ 4,91, perdendo apenas para o da Noruega (US$ 7,20) e
Suiça (US$ 6,19). O Bigmac brasileiro é quase 15% mais caro do que o
preço médio da área do Euro, 26,8% mais caro que nos EUA , e 33,67%
mais caro que no Japão! Se compararmos o nosso Bigmac com os preços
praticados em economias emergentes como Rússia e China veremos que o
nosso custa mais que o dobro. Será que isso é certo?

Os preços praticados na Noruega, por exemplo, são justificados pela
carga tributária elevada típica dos países do Norte da Europa e o alto
preço dos insumos, e o nosso? Somos os maiores exportadores de carne
bovina do mundo, temos cebola e alface em excesso e pagamos um dos
piores salários aos "Mcboys". O nosso preço se justifica? A mídia nos
bombardeia com notícias sobre o elevado preço do metro quadrado
comercial em São Paulo e Rio de Janeiro em comparação com outros
países, o preço do café nos aeroportos brasileiros que está entre os
mais caros do mundo e a quantidade de brasileiros que fazem compra em
Nova Iorque, viajar para o exterior com freqüência tem saído mais em
conta do que fazer turismo dentro do Brasil. Não tem nada errado?

É possível que nossa moeda esteja sobrevalorizada, é verdade que o
Brasil conta agora com reservas internacionais superiores a US$ 260
bilhões, fundo soberano e tudo o mais, no entanto, isso não justifica
nossos preços altos, a recente enxurrada de investimentos estrangeiros
no Brasil cujo o expoente máximo é a capitalização da Petrobrás tem
contribuído para valorizar ainda mais o Real, mas ainda assim não
justifica nossos preços altos, assim, é possível que a mão invisível
de Adam Smith haja no médio prazo, levando o Real ao seu lugar
verdadeiro, que possivelmente é abaixo de onde está. Vamos aguardar!