30 de ago. de 2010

Quanto preciso para me aposentar? Planejamento financeiro pessoal


Enquanto as instituições financeiras costumam divulgar o tempo que as
pessoas precisam para se aposentar, a maior parte do investidores quer
saber o quanto($) precisam para se aposentar. Essa pergunta é
complexa...mas a resposta é simples, você precisa de aproximadamente
duzentas vezes a renda mensal que você deseja ter na
aposentadoria. Assim, se você quiser ter uma renda mensal de R$ 10 mil
na aposentadoria, precisará de aproximadamente R$ 2,0 milhões (R$ 10
mil x 200). Se você é um cara humilde e vive o resto da vida com
apenas R$ 1 mil por mês, basta juntar R$ 200 mil.

Por que 200 vezes?

Bem, a maioria dos fundos de pensão trabalham com uma meta de obter
uma taxa real de 6% ao ano, o que nos trás uma taxa aproximada de 0,5%
ao mês. Assim, se você tiver R$ 1 Milhão, por meio de investimentos é
possível obter uma taxa acima da inflação de 0,5%, obtendo um retorno
mensal de R$ 5 mil. Se você achar (assim como eu!), que essa meta é
muito apertada, procure obter um montante de 250 vezes o valor se sua
aposentadoria mensal antes de pendurar as chuteiras, assim você terá
folga suficiente para eventuais erros de percurso no meio do caminho.

Que tipo de investimentos?

O ideal é diversificar, criando um portfólio baseado em investimentos
de baixo risco tal qual fundos de renda fixa, CDBs e Títulos Públicos
e imóveis. No entanto é importante ter ativos de maior rentabilidade
para conseguir atingir a meta, esse ativos de renda variável devem ser
alocados em uma proporção bem pequena pois oferecem maior risco, e
"aposentados" não devem correr riscos. A concentração em determinado
tipo de investimento deve ser evitada, pois se não der certo, o
aposentado terá que retornar ao trabalho. Exemplo: CDB de um banco que
"quebra", títulos públicos de um governo que decreta moratória, imóvel
em que o inquilino se torna inadimplente (ou o prédio desaba!). Tudo
isso é passível de acontecer, mas se estiver bem distribuído numa
carteira de investimentos não afetará de forma significante suas
retiradas mensais, por isso o planejamento é tão importante.

E os Planos de Previdência?

Podem ser uma boa opção, mas normalmente não são por causas das altas
taxas de carregamento (evite maiores que 1%) e administração (evite
maiores que 2% a.a), além da falta de planejamento fiscal. Acredite,
você pode obter mais sucesso complementando o PGBL com investimentos
autônomos do que colocando todo o seu dinheiro nele, pois nesse caso
os bancos vão receber uma bela participação pelo trabalho de alocar
seus investimentos, trabalho que você pode fazer sozinho com um pouco
de estudo.



Posso me aposentar com qualquer idade?

Claro. Só precisa gerenciar bem o orçamento para não ultrapassar os
ganhos mensais dos investimentos, pois se isso ocorrer será fatal para
o seu futuro.

Diferença entre Taxa Nominal e Taxa Real

A diferença entre taxa nominal e taxa real é bastante simples: a taxa
nominal é a taxa que normalmente é divulgada pelas instituições financeiras,
enquanto que a taxa real é dada pela diferença entre taxa nominal e a
inflação do período. Assim, por exemplo, se uma aplicação bancária
teve uma rentabilidade de 10% no ano passado (chamamos de taxa
nominal) e a inflação no mesmo período foi de 6%, temos que a taxa
real foi de quase 4%.*



Apesar de ser um conceito simples, a distinção entre taxa nominal e
taxa real é muito importante para os economistas, uma vez que traz
fortes implicações:

Na ótica do investidor o que interessa são os ganhos reais, de que
adianta ter uma aplicação que rendeu 12% enquanto os preços no
mesmo período subiram 15%? Nesse caso o investidor teve uma
rentabidade real negativa, após o período de aplicação o seu dinheiro
passou a comprar menos do que comprava antes de investir. Uma
referência internacional para o investidor é a taxa de rentabilidade
real anual de 6%, meta de grande parte dos fundos de pensão
(previdência) de todo o mundo.





Os aumentos reais dos salários são referentes aos reajustes acima da
inflação. Somente assim podemos visualizar o aumento do poder de
compra do assalariado. Os patrões podem fazer a maior festa divulgando
um aumento de 10%, no entanto se a inflação do período anterior foi de
9%. Os ganhos reais foram de menos de 1% para o trabalhador.
Os aumentos nominais do PIB, por exemplo, podem significar somente
aumento de preços (inflação) e não necessariamente aumento da
produção, que normalmente é resultado de investimentos anteriores e
que tende a trazer um maior número de empregos, por isso é importante
deflacionar (tirar a inflação) do PIB e assim obter seu aumento (ou
redução) real.
* (1 + taxa real) x (1 + taxa de inflação) = (1 + taxa nominal)


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25 de ago. de 2010

Custo de Oportunidade


O Custo de Oportunidade é representado pelo valor de das oportunidades
sacrificadas (não escolhidas). Diferente dos custos contábeis que são
escriturados na contabilidade de uma empresa, o custo de oportunidade
é um custo implícito, que não aparece na contabilidade de uma empresa,
porém é bastante utilizado pelos economistas para determinar a
viabilidade de projetos empresariais. Custo Alternativo é um outro
sinônimo para o Custo de Oportunidade, por indicar o custo resultante
da não-utilização da melhor alternativa de emprego de um recurso
produtivo, ou numa linguagem mais coloquial o custo da alternativa
deixada de lado.

Exemplos de Custo de Oportunidade:

a) Custo de Oportunidade do Capital
Um empresário investe R$ 100 mil em um negócio que tem um lucro anual
de R$ 5 mil. Se o empresário tivesse escolhido a alternativa de fazer
uma aplicação bancária poderia ganhar algo em torno de 8% ao ano, ou
seja, R$ 8 mil, esse portanto é o custo de oportunidade do capital.

b) Custo de Oportunidade do Imóvel
Uma empreendedora utilizou um amplo e bem localizado imóvel da família
para instalar um Salão de Beleza, após anos de trabalho percebeu que
os lucros mensais do negócio estavam estabilizados e rendiam
aproximadamente R$ 5 mil por mês, no entanto, caso optasse por alugar
o imóvel obteria um aluguel mensal de pelo menos R$ 8 mil, esse seria
portanto o seu custo de oportunidade, ele não aparece na contabilidade
do Salão de Beleza, mas mostra a empresária qual é a melhor opção de
emprego do imóvel.

c) Custo de Oportunidade da Mão-de-Obra

Um representante de vendas, autônomo, após contabilizar receitas e
custos das suas vendas verifica que teve um lucro médio mensal no ano
passado de R$ 3.500,00 , no entanto, lembra-se que antes de deixar o
emprego para abrir sua representação comercial tinha um salário médio
de R$ 8.500,00 , esse é o custo de oportunidade de sua mão-de-obra, o
custo da melhor alternativa do emprego de sua força de trabalho.
Nota: Uma vez considerados os Custos de Oportunidade, percebe-se que
muitos negócios aparentemente lucrativos de acordo com os registros
contábeis não são a melhor opção de emprego do recurso produtivo.




23 de ago. de 2010

PIB Nominal e PIB PPC

As economias normalmente são medidas pelo valor de sua produção ao longo de um determinado período, assim por exemplo o produto interno bruto de 2009 dos Estados Unidos é a soma de todos os produtos finais(bens e serviços) feitos dentro daquele país ao longo do ano de 2009, o PIB dos Estados Unidos por sinal é o maior do mundo, totalizando aproximadamente US$ 14 trilhões (2009), esse PIB exemplificado é conhecido como PIB nominal.

O PIB nominal é o que foi efetivamente contabilizado na venda dos bens e serviços finais, normalmente a unidade monetária em que ele é expresso é o dólar americano (US$). Já o PIB PPC, onde PPC quer dizer "Paridade do Poder de Compra" é uma medida inventada por economistas que levam em consideração o poder de compra do dólar em diferentes economias, assim se o dólar compra mais na Índia do que nos outros paíeses o PIB nominal da Índia sofrerá um modificação através de um fator de conversão que aumentará seu valor no cálculo do PIB PPC, assim como se o dólar possui um poder de compra menor no Japão do que nos outros páises o PIB nominal japonês será reduzido no cálculo do PIB PPC.

O objetivo do PIB PPC é procurar ser mais justo ao considerar o poder de compra nas mais diversas economias e não simplesmente o PIB nominal em dólar.

Para exemplificar a diferença de PIB Nominal e PIB PCC vamos imaginar duas economias bem simples: duas ilhas: "ILHA A" e "ILHA B" do mesmo tamanho e com a mesma população(economistas adoram exemplos de ilha!)

A ilha A tem dois coqueiros e produz 20 cocos por ano.
A ilha B tem um coqueiro e produz 10 cocos.

Na ilha A os cocos são vendidos por US$ 1
Na ilha B os cocos são vendidos por US$ 2.

PIB da ilha A = 20 x US$ 1 = US$ 20
PIB da ilha B = 10 x US$ 2 = US$ 20

O resultado é que mesmo com a diferença quantitativa (20 cocos x 10 cocos), as duas ilhas possuem o mesmo PIB nominal, US$ 20. No entanto os habitantes da ilha A vivem melhor (20 cocos) do que os habitantes da ilha B (apenas 10 cocos), o que leva a um PIB da ilha A ser duas vezes maior do que o da ilha B pela metologia PPC.

O grande problema do cálculo do PIB PCC, que considera o custo de vida em países diferentes é que além dos padrões de compra (cesta de consumo)serem diferentes de país para país, os preços mudam muito(flutuam, em economês!)dificultando as mensurações.

12 de ago. de 2010

Conceito de Utilidade

A Utilidade é a base da teoria do consumidor. Utilidade é o conceito econômico atribuído à satisfação pelo consumo de bens ou serviços. É muito difícil quantificar, atribuir valores a utilidade de um bem (utilidade cardinal), porém os economistas acham que é possível ordenar as preferências do consumidor (utilidade ordinal). As pessoas possuem preferências diferentes, e assim, individualmente atribuem diferentes utilidades para um determinado bem, produtos que geram grande satisfação para um consumidor podem não gerar para um outro indivíduo, mesmo que esse possua renda e recursos disponíveis similares ao primeiro, ele pode possuir gostos e necessidades diferentes, por exemplo, qual a utilidade atribuída a um aquecedor de ambientes por um morador de uma cidade litorânea do Nordeste, será que ele pagaria o mesmo preço que um morador da região serrana de Santa Catarina?
 
Uma verdade comum na teoria da utilidade é que quanto mais consumimos de determinado bem, menor é a sua utilidade adicional, essa idéia é conhecida na teoria econômica como utilidade marginal decrescente, e é comumente é apresentada através do exemplo da utilidade da água para um indivíduo com sede: o primeiro copo de água é o que lhe dá mais satisfação, o segundo copo já traz menor utilidade, o terceiro menos ainda já que ele tende a está satisfeito, em outras palavras esse exemplo leva a idéia de que as pessoas estão dispostas a pagar menos por unidades adicionais de um mesmo produto, uma vez que essas unidades trazem utilidades inferiores às primeiras unidades adquiridas, influenciando assim o formato da curva de demanda.

7 de ago. de 2010

Dinheiro traz Felicidade?

Pesquisa da Gallup publicada pela revista Forbes mostra o índice de satisfação com a vida. Segundo o FMI a renda per capita média dos cinco países mais felizes do mundo (os gelados Dinamarca, Finlândia, Noruega, Suécia e Holanda) é de US$ 39,9 mil, enquanto que a renda média dos cinco mais infelizes do mundo é de apenas US$ 1 mil.

A relação entre renda e felicidade, no entanto, não é tão direta assim: O Brasil com renda per capita de apenas US$ 6,6 mil ocupa a 12ª posição do ranking, na frente de países como os Estados Unidos (14º) cuja renda per capita é de US$ 46 mil.


Fonte: Revista Istoé Dinheiro , Edição 668 - 28/07/2010.

Gostou do assunto?

O livro Felicidade, escrito pelo economista da London School of Economics Richard Layard faz uma discussão agradável e ao mesmo tempo profunda sobre o tema, no Brasil foi classificado (erroneamente?) como livro de autoajuda, no entanto a obra é uma revisão de vários estudos de economistas sobre o tema numa linguagem bastante acessível, não deixe de ler:

Título: Felicidade
Subtítulo: Lições de uma Nova Ciência
Autor: Richard Layard
Editora: Best Seller