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7 de out de 2013

Caráter e Economia



Quando estudamos o risco de crédito em finanças, tradicionalmente a abordagem utiliza os 5 Cs do crédito: Capital, Colateral (ou garantias associadas diretamente ao empréstimo), Capacidade, Condições e Caráter. Os primeiros Cs do crédito são variáveis econômicas enquanto que o último C se caracteriza por ser uma variável psicológica e/ou cultural, e esse sobre ela que escrevo adiante.


Como bom economista detesto desperdícios, tento otimizar tudo a minha volta, sempre que posso tento vender o que já não me serve, pois além de servir a outra pessoa, ainda apuro alguns trocados, que acredito podem fazer diferença no longo prazo. Para efetuar minhas vendas utilizo sempre o mercado livre, site que sou usuário frequente desde 2002. Sempre tomei cuidados com as minhas vendas, pois como todos sabemos aqui no Brasil "se vacilar o cachimbo cai", nesse período confiar não fez parte do meu vocabulário e nunca fui lesado em nenhuma negociação.

Costumo juntar minhas parcas economias (e milhas de programas de afiliados) para anualmente fazer uma viajem ao exterior. Planejo bastante, normalmente costumo gastar pouco, mas me divirto bastante, sonho o ano inteiro com minha viagem de férias. Ultimamente tenho viajado com minha família, e para caber todo mundo tenho optado por suítes com sala, copa e dois quartos para acomodar toda a tropa. Tive duas experiências muito interessantes e que recomendo a todos: a primeira foi em outubro do ano passado no "Hotel Adagio" em Roma e a segunda e mais recente no mês passado (setembro) no "The Enclave" em Orlando, em ambos encontrei cozinhas completas com todos os utensílios de cozinha que você possa imaginar (Talheres, Batedeiras, Liquidificadores, Cafeteiras, etc). Em ambos ao fazer o fechamento da conta, após o pagamento fui surpreendido com a frase: - O senhor deseja mais alguma coisa?

Em minhas muitas viagens de trabalho pelo Brasil e também nas de lazer, estou acostumado a esperar o pessoal do Hotel revirar um quarto (que por prevenção já dispõe de poucos objetos) como se fossem agentes do FBI procurando averiguando a mala de um possível terrorista, é normal após o pagamento esperar para receber o "OK", pelo menos duas vezes travei discussões para provar que não havia consumido algo do frigobar que estava na minha conta, e pelo menos outras duas, cansado que estava e louco para ir para casa acabei pagando pelo que não consumi, ou seja, brasileiro não confia e ninguém, este é um problema cultural.

Vendi um decodificador de TV digital pelo mercado livre para um comprador do interior da Bahia, que apesar do português precário foi muito educado nos e-mails e mensagens que trocamos. Quando estava na fila dos correios para realizar o envio, recebi uma mensagem dele, dizendo que por falta do decodificador estava sem sinal de TV e me pediu para enviar por sedex, ficando de pagar a diferença (cerca de R$ 30,00) no mesmo dia. Podia ter ignorado a mensagem, mas pensei nele, refleti sobre minhas experiências no exterior, pensei como a vida seria mais fácil se houvesse crédito entre as pessoas (palavra que vem do latim credere que significa acreditar) e fiz o envio via sedex, fiz uma cópia da nota dos correios para comprovar as despesas e enviei para o sujeito por e-mail. Enfim tentei fazer a minha parte na mudança da nossa cultura de desconfiar de todos.

Para minha surpresa até hoje o sujeito não respondeu meus e-mails, não respondeu minhas mensagens e obviamente não pagou o que deve, o valor é ínfimo, mas o exemplo é forte, a "Lei de Gerson" continua mais vigente do que nunca, e para revogá-la demoraremos muitos anos e precisaremos de muitos esforços, me pergunto: Estarei vivo no dia em que isso mudar?



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