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2 de jan de 2011

Operações com Opções - Como fazer



Operações com  Opções


Para efeito de estudo, dividiremos as operações com opções em três tipos:

  1. Compra e Venda (“compra a seco”);
  2. Lançamento Coberto;
  3. Travas

  1. Compra e Venda

As opções são negociadas no pregão tal quais as ações. As opções são compradas e vendidas de acordo com o preço de mercado que muda a cada segundo. As opções possuem volatilidade acentuada, e não raro chegam a subir ou cair 40-50% ao dia. Existem casos em que opções se valorizam até 800% em um mesmo dia. Imagine comprar uma opção por R$ 1,00 e vender por R$ 9,00! Histórias de sucesso com compra e venda de opções se difundem rapidamente no mundo conectado através de redes de relacionamento e web fóruns, atraindo uma grande leva de investidores.

A verdade, no entanto, é que comprar opções sem nenhuma cobertura (“a seco”) é um investimento de grande risco. Os números mostram que é muito mais provável uma opção virar “pó” do que gerar grandes retornos. Virar “pó” no jargão do mercado é o mesmo que não ser exercida, ou seja, quando o preço de exercício na data de vencimento das opções de compra é maior que o preço de mercado e elas passam a não valer nada.

Operar opções a seco é especulação pura, investidores maduros evitam tamanha exposição ao risco.

Se uma ação cai em determinado mês ela pode se recuperar no próximo ou daqui a seis meses, uma opção não, sua vida útil não chega a 3 meses, se não subir nesse período vira “pó”!


  1. Lançamento Coberto

As operações de lançamento coberto consistem em comprar e manter as ações e carteira e lançar opções de compra. Através do hedge com lançamento de opções é possível ter uma boa rentabilidade em um mercado estável, e ganhar até mesmo na baixa, além de reduzir significativamente o risco da carteira de ações.

O lucro de uma operação de lançamento coberto é composto de duas partes: a primeira parte refere-se ao prêmio recebido pela opção lançada, enquanto que a segunda parte é o lucro (ou prejuízo) obtido com a ação entre a compra da ação e o vencimento das opções.

Lucro = Variação da Ação + Prêmio da Opção

Exemplo:

João acaba de entrar no mercado de ações, após se aconselhar com um amigo comprou 1000 ações da Petrobrás, PETR4  por R$ 78,51  e lançou 1000 opções de Compra PETRD80 por R$ 1,62. A operação ocorreu uma semana antes do vencimento das opções. João será exercido se a ação superar o preço de exercício da opção que é de R$ 80,00.
Se isso acontecer seu lucro bruto terá sido de R$ 3,01  por ação:
R$ 1,62 referente às opções +
R$ 1,49 referente as operações com a ação (R$ 80,00 – R$ 78,51),
Uma rentabilidade de aproximadamente 3,8% em uma semana!

Mercado “de lado”

E se o preço não se alterar? Se João estivesse apenas com a ação não teria ganhado nada, mas como ele lançou a opção e não foi exercido, obteve o lucro referente a opção: R$ 1,62. O que garantiu uma rentabilidade bruta superior a 2% em apenas uma semana. Os números mostram que no mercado brasileiro é possível dobrar um capital ao longo de pouco mais de um ano usando as operações de lançamento coberto caso o preço da ação-objeto permaneça constante.

O outro lado do Caso:

Desconsiderar os custos de corretagem e emolumentos da Bovespa:

  1. Caso Ana não tivesse lançado as opções, qual teria sido seu lucro ou prejuízo? Lançando Opções, qual foi o lucro ou prejuízo de Ana nesse período?
  2. Se a ação tivesse fechado a R$ 55,00 no vencimento. Determinar o lucro ou prejuízo de Ana na operação das ações da VALE com e sem o lançamento de opções.

Modalidades de Lançamento Coberto

a) Lançamento fora do Dinheiro
(Out of The Money-OTM)

b) Lançamento no Dinheiro
(At The Money-ATM)

c) Lançamento dentro do Dinheiro
(In The Money-ITM)


Lançamento fora do Dinheiro
(Out of The Money-OTM)
Quando o preço de exercício da opção é o superior ao preço da ação-objeto no dia do lançamento da opção. Ex. Ana compra VALE5 por R$ 50,00 e simultaneamente lança VALEC52, recebendo o prêmio de R$ 1,30. O lucro máximo da operação é a soma do prêmio recebido pela opção com o lucro da ação, no caso de Ana, seu lucro máximo será de R$ 3,30 (1,30 + 2,00). Ana terá prejuízo se a ação estiver abaixo de R$ 48,70 no dia do vencimento das opções. Essa operação é indicada quando o mercado indicar tendência de alta para a ação objeto.

Lançamento no Dinheiro
(At The Money-ATM)
Quando o preço de exercício da opção é o mesmo do preço da ação-objeto no dia do lançamento da opção. Ex. Ana compra VALE5 por R$ 50,00 e simultaneamente lança VALEC50, recebendo o prêmio de R$ 2,50. O lucro desta operação está limitado ao prêmio da opção, caso a ação suba, Ana não terá nenhum lucro adicional. Ana terá prejuízo se a ação estiver abaixo de R$ 47,50 no dia do vencimento das opções. Essa operação é indicada quando o mercado estiver sem tendência definida para a ação objeto.

Lançamento dentro do dinheiro
(In The Money-ITM)
Quando o preço de exercício da opção é o inferior ao preço da ação-objeto no dia do lançamento da opção. Ex. Ana compra VALE5 por R$ 50,00 e simultaneamente lança VALEC48, recebendo o prêmio de R$ 4,00. O lucro máximo da operação é a soma do prêmio recebido pela opção com o prejuízo da ação, no caso de Ana, seu lucro máximo será de R$ 2,00 (4,00-2,00). Ana terá prejuízo se a ação estiver abaixo de R$ 46,00 no dia do vencimento das opções.  Essa operação é indicada quando o mercado estiver com tendência de pequena baixa leve para a ação objeto.

Lucro:
Nos exemplos anteriores, Ana compra VALE5 por R$ 50,00 e lança opções simultaneamente. O quadro abaixo apresenta o lucro máximo de Ana por ação para cada uma das modalidades de lançamento coberto:

Lançamento:
Lucro Máximo/Prejuízo com Ação
Lucro do Prêmio
Lucro Máximo Total
OTM (VALEC52)
R$ 2,00
R$ 1,30
R$ 3,30
ATM (VALEC50)
R$ 0,00
R$ 2,50
R$ 2,50
ITM (VALEC48)
-R$ 2,00
R$ 4,00
R$ 2,00

Risco e Retorno:
No quadro anterior ficou claro que as operações de lançamento de opções fora do dinheiro são as que apresentam maior possibilidade de lucro máximo, no entanto, as operações com opções também obedecem ao princípio geral das finanças de que quanto maior o retorno, maior o risco.

No quadro abaixo apresentamos para o mesmo exemplo a rentabilidade máxima e a segurança máxima (queda máxima suportada pela ação-objeto) para cada uma das operações:

Lançamento:
Retorno Maximo
Segurança Máxima
OTM (VALEC52)
6,60%
2,60%
ATM (VALEC50)
5,00%
5,00%
ITM (VALEC48)
4,00%
8,00%


Rolagem:
A sugestão desse material é que as operações com opções sejam feitas mensalmente, de forma que sempre que vencer uma série de opções o investidor faça o lançamento de outra série. Utilizando o horizonte de um mês é possível que as ações subam bastante ou mesmo caiam em demasia. Nesses casos as operações de rolagem com opções podem ser utilizadas para obter uma parte desse aumento, elevando ainda mais a rentabilidade das operações, ou mesmo para reduzir ou anular as perdas nos casos de queda do preço das ações.

As Operações de rolagem consistem em comprar a opção vendida e vender uma opção com outro “strike”. As rolagens podem ser para cima ou para baixo.

A rolagem para cima ocorre quando o investidor quer obter um lucro maior em suas operações, devido ao fato da ação-objeto ter subido mais do que ele imaginava, nesse caso investidor recompra a opção vendida e vende uma série de opções superior.

Exemplo – Rolagem para cima

            No dia 21/11/07, Paulo comprou ações VALE5 por R$ 49,00, simultaneamente vendeu opções VALEA50 por R$ 4,30. Seu lucro máximo nessa operação seria, portanto de R$ 5,30 caso a ação estivesse sendo negociada por R$ 50,00 ou mais no dia do vencimento, ou seja, ele recebeu R$ 4,30 do prêmio da opção e poderia ganhar até mais R$ 1,00 com a ação já que comprou por R$ 49,00 e ficou “vendido” a R$ 50,00.
            No dia 07/12/2007 após um aumento acentuado no preço da VALE5, que estava sendo negociada a R$ 54,52, Paulo resolveu fazer uma rolagem de suas operações: Recomprou VALEA50 que havia lançado, pagando um prêmio de R$ 6,50 e lançou VALEA52 recebendo um prêmio de R$ 5,70, ou seja, pagou um diferencial no prêmio de R$ 0,80 (6,50-5,80) para ter direito a um possível aumento de lucro de R$ 2,00 (52,00-50,00) com as VALE5.
            Se no vencimento  VALE5 estiver sendo vendida por mais de R$ 52,00, Paulo garantirá um aumento de R$ 1,20 em seus lucros por ação, totalizando assim R$ 6,50 na operação. (valores reais)

Exemplo – Rolagem para baixo

            Em 12/12/2007 um investidor comprou VALE5 por R$ 51,50 e lançou VALEA52 por R$ 3,60, operação que garantiria lucro caso a vale se mantivesse acima dos R$ 47,90 até a data de vencimento. No entanto, no dia 07/01/2008, VALE5 estava sendo vendida por R$ 47,80, colocando o investidor numa situação de prejuízo caso o preço fosse mantido até o vencimento.
            Para evitar o prejuízo o investidor recomprou VALEA52 por R$ 0,70 e lançou VALEA50 por R$ 1,30, garantindo mais R$ 0,60 de recebimento de prêmio (1,30 – 0,70), nessa nova situação, caso VALE5 se mantivesse em R$ 47,80, o investidor ao invés de prejuízo teria lucro de aproximadamente R$ 0,50 por ação. (valores reais)

  1. Travas

            Operação exclusivamente com opções, em que o investidor compra opções de um strike e vende opções de outro strike, as travas podem ser de alta ou de baixa.


Trava de Alta

Na trava de alta o investidor compra opções de um strike mais baixo e vende opções de um strike mais alto, nesse tipo de operação o investidor espera a alta do mercado.

Exemplo – Trava de Alta

                        Em 27/11/2007 o investidor comprou Opções VALEA50 por R$ 3,40 e vendeu opções VALEA52 por R$ 2,75, no dia seguinte, após uma alta, as opções VALEA50 estavam sendo vendidas a R$ 4,90 enquanto que as VALEA52 estavam sendo vendidas a R$ 3,80. Se o investidor resolvesse “zerar” suas operações, ou seja vender as opções compradas, e comprar as vendidas teria obtido um lucro bruto de R$ 0,45 em um dia para um investimento de aproximadamente  R$ 0,65 (3,40-2,75), o que garantiria uma rentabilidade próxima de 70% em um único dia.

Trava de Baixa

Na trava de baixa o investidor vende opções de um strike mais baixo e compra opções de um strike mais alto, nesse tipo de operação o investidor espera a baixa do mercado. Como as opções de strikes mais baixas são vendidas por um preço maior do que as que são compras (strike superior), o lucro máximo obtido pelo investidor será obtido por essa diferença, e só ocorrerá caso o mercado caia.

Exemplo – Trava de baixa

Em 07/12/2007 um investidor vendeu opções VALEA50 por R$ 5,80 e comprou opções VALEA52 por R$ 4,75, obtendo uma diferença de R$ 1,05 para montar a operação, o investidor “segurou” a operação até o vencimento, quando as ações VALE5 fecharam a R$ 43,70 e, portanto as opções não foram exercidas. O investidor obteve, portanto o lucro da montagem da operação R$ 1,05. Nesse tipo de operação é retida uma margem relativa à diferença entre as opções, ou seja, R$ 2,00.

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